Categoria Política

O clima está meio tenso no ambiente

Ministério do Meio Ambiente faz uma nomeação polêmica

Com tanta coisa interessante acontecendo, quase ninguém deu atenção à mais recente nomeação no Ministério do Meio Ambiente. Trata-se do novo diretor de pesquisa, avaliação e monitoramento da biodiversidade. Como já foi publicado no Diário Oficial, o nomeado é Denylson Maçaranduba, campeão peso-pesado do MMA, também conhecido como “Coice de Jumento”. Por incrível que pareça, esta coluna teve coragem de fazer uma entrevista exclusiva com o novo diretor.

O senhor ficou surpreso com a sua indicação?

Não, eu recebi o convite com naturalidade. Afinal, eu venho do MMA, Mixed Martial Arts, e o Ministério do Meio Ambiente também é MMA. São as mesmas iniciais. Tem tudo a ver.

Mas já estão surgindo algumas críticas dizendo que, para ocupar este cargo, o senhor deveria ter especialização acadêmica ou experiência profissional na área.

Sim, essa reação já era esperada, mas posso garantir que tenho uma vasta experiência no setor madeireiro. Sei tudo sobre baixar o sarrafo, descer a lenha e quebrar o pau. Além disso, venho de uma família muito ligada à natureza e às árvores. Sou sobrinho de Carlos Maçaranduba, um marombeiro e pitboy que foi muito famoso nos anos 90. Você sabe, não é? Maçaranduba é aquela árvore que nos fornece a “madeira de dar em doido”.

E o senhor acha que isso atende às exigências necessárias para exercer o cargo?

Se isso não for suficiente, quero lembrar que também tenho profundas ligações com outra árvore muito frondosa, o Carvalho. Eu me formei no curso do mestre Olavo, e me aprofundei nos estudos sobre baixar o sarrafo, descer a lenha e quebrar o pau…

Já entendi, obrigado pela entrevista. O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa?

Sim…Vai tomar no cu!

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Segundo round: Um especialista em brigar com números

Depois que esta coluna publicou uma entrevista com Denylson Maçaranduba, um dos novos diretores de pesquisa e monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, alguns colegas repórteres lançaram um desafio, acreditando que não teríamos coragem de encarar um segundo round. Mas esta coluna gosta de adrenalina, e aqui está mais uma entrevista com este campeão do MMA.

Senhor Denylson, quanto ao problema do desmatamento, só na primeira metade do mês de maio, a floresta amazônica perdeu o equivalente a 7 mil campos de futebol. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Nós questionamos essa metodologia. Essa mania de medir tudo em campos de futebol não é bom para o nosso trabalho. Seria mais razoável fazer essa medição em termos de octógonos de Mixed Martial Arts. Não faz o menor sentido estimular a prática do futebol, se estamos trabalhando para o MMA, Ministério do Meio Ambiente. Além do mais, o Brasil já tem muito campo de futebol.

As pesquisas, baseadas em imagens feitas por satélites, mostram claramente que o desmatamento está aumentando. Isso não é preocupante?

Infelizmente o povo é facilmente manipulado por esse tipo de informação pretensamente científica. Só os muitos ingênuos confiam nessas histórias de satélite espacial. É por isso que até hoje tem gente que acredita que o homem chegou na Lua. Não sabem que aquelas imagens são efeitos especiais financiados pela NASA, a CIA e o George Soros.

Os críticos desta nova administração dizem vocês desprezam as estatísticas e ficam brigando com os números.

Exatamente. Brigar é a minha especialidade, e por isso fui nomeado.  Meus superiores não têm colhão para assumir uma posição, mas eu não tenho medo de falar a verdade, e vou revelar agora que nosso projeto para este ano é aumentar a área de desmatamento em mais dez mil quilômetros quadrados e, se Deus quiser, nesse terreno serão instalados milhões de octógonos de MMA. Depois eu faço a conta…

Uma última pergunta: o senhor pode soltar o meu braço e sair de cima de mim?

Tudo bem, mas então quer dizer que eu venci a entrevista.

 

* Entrevistas publicadas na Folha de S.Paulo em maio de 2019.

 

A ditadura da moda

Dicas de moda vintage e retrô, para quem quer voltar aos bons tempos

Quem está ligado no mundo fashion sabe que a moda é uma coisa cíclica. As tendências vão e voltam, surfando nas ondas lançadas por designers, estilistas, formadores de opinião e influenciadores digitais. Atualmente, os “trend setters” estão apostando tudo na volta do “look anos 60”, com campanhas pelo revival da minissaia, do vestido tubinho, da calça Saint Tropez, da calça boca-de-sino, das estampas psicodélicas e da ditadura militar.

Para você que não quer ficar por fora dessa nova tendência vintage, damos aqui algumas dicas de modelitos que vão fazer suas amigas e seus amigos morrerem de inveja. Se eles não morrerem de inveja, você fala comigo. Eu conheço um cara que é amigo de um ex-coronel que pode dar um jeito nisso.

Um dos modelos mais elegantes é um conjunto baseado no look farda camuflada, em vários tons de verde musgo e bege. Mas o toque de classe são as charmosas manchas de sangue espalhadas pela estamparia. Você não vai  mais ficar se torturando, naquela dúvida sobre o que vestir. Com este modelito você vai arrasar!

E atenção para os acessórios. Você não imagina o que se pode fazer com um simples cinto. Um cinto vintage, tipo anos 60, evidentemente pode ser usado na cintura, num estilo mais tradicional. Mas pode também ser usado de uma forma mais criativa, em volta do pescoço e amarrado numa grade de prisão.

Um outro acessório que sempre impressiona é o pau de arara. É meio  complicado de se usar e você vai perder um pouco de mobilidade mas, para quem está acostumada a usar um Louboutin com salto de 19 cm não é nada de mais. A tortura é só um pouquinho pior.

 

* Publicado na Folha de S. Paulo em maio de 2018.