O tatuador tuiteiro

Muitos amigos me ligaram, preocupados, querendo saber o que aconteceu com o tatuador tuiteiro que, por engano, tatuou uma mensagem no braço de um cliente, o lutador de MMA Max Marombão. Vejam aí na figura como ficou o trabalho.

É claro que o lutador de MMA e enfiou a porrada no tatuador, e depois exigiu providências imediatas para remediar a cagada. O tatuador disse que a maneira mais rápida e eficaz para se livrar da tatuagem seria a amputação do braço. Max Marombão não gostou da ideia e deu mais umas enchulapadas no tatuador. Em seguida, os dois passaram a cogitar sobre as opções de desenhos para cobrir aquele texto. O tatuador sugeriu então o desenho de um enorme coração envolvido por uma faixa onde se lê a palavra “Mother”. O lutador pensou um pouco e disse que não seria boa ideia, porque ele não se dá bem com a mãe. “A gente briga muito. E ela sempre perde”, disse ele.

Depois pensaram em caveiras, águias, punhais e o diabo, mas ele já tinha todos esses temas tatuados em outras partes do corpo, inclusive o diabo. O tatuador teve então uma ideia ousada: propôs tatuar o rosto do escritor Lima Barreto, homenageado da Flip em 2017. O lutador até achou a ideia interessante, mas preferiu não fazer, para não se sentir na obrigação de, no ano que vem, cobrir o Lima Barreto com o retrato do homenageado da Flip de 2018. O tempo estava passando e eles, já sem muita paciência,  resolveram optar para um clássico: a infalível imagem de Jesus Cristo. Essa é uma unanimidade, não tem erro.

E assim foi feito. O problema é que, dias depois, quando Max Marombão estava passeando pela primeira vez com sua nova tatuagem, um cara chegou perto e falou: “Que maneiro! Gostei dessa homenagem ao Aldir Blanc!”

Nem é preciso dizer que, depois dessa, o tatuador distraído levou mais umas bifas.

(Publicado na Folha de S. Paulo em julho de 2017)

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